Quem sou Rafa?

Desde novo sempre fui muito ativo, adorava brincar na rua e meu melhor brinquedo sempre foi o corpo. Vivia me desafiando, mas na verdade tudo era uma grande brincadeira para mim. Adorava subir em árvores, telhados, muros. Se durante uma partida de vôlei na rua a bola fosse parar no telhado do vizinho, eu era o primeiro a escalar para buscar.

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Estudei no colégio Pedro II, na unidade São Cristóvão. Adoro aquele colégio pela sua magnitude e pelas histórias que vivi ali. Morava próximo da escola e sempre fui a pé, na verdade, correndo para apostar corridas com as vans escolares, tentava chegar no menor tempo possível. E o prêmio? Apenas superar o tempo do dia anterior.

Com muita energia para gastar, acabei muitas vezes na coordenação da escola, ou por estar em algum lugar onde não deveria, ou fazer algo que não era o usual. Para mim, os lances de escada, eram plataformas de saltos, as paredes, eu tentava correr nelas, as grades, eram paredes de escalada, e o pátio, minha pista de atletismo. Continuei andando pelas paredes até o último ano que estudei lá. Era muito fácil me achar, além fazer as coisas um pouco fora do padrão, eu tinha um cabelo enorme (por 11 anos da minha vida meu cabelo batia quase na cintura) e isso chamava mais atenção ainda. Não a toa, muitos me chamavam de Tarzan, para mim um elogio sem igual. Até então eu apenas praticava natação na equipe do colégio e nada mais.

Tentando me achar nesse mundo, fiz uma formação técnica em telecomunicações no CEFET, junto com o Colégio, mas apenas me formei mesmo. Foi nesse época que conheci o circo e isso mudou o curso da minha vida. Tudo começou vendo vídeos de Parkour (na época estava surgindo) com um amigo, eu falava o quanto achava maneiro os saltos, a fluidez e o quanto eu queria aprender a dar um mortal. Ele comentou a respeito da Escola Nacional de Circo (ENC). Nem sabia da existência dela e quando fui procurar mais sobre, soube que estava na época de abrir o edital para fazer a prova. Não fazia ideia do que seria, mas fui na cara e na coragem. Achei que não teria muitas chances, afinal todos que estava ali já tinham algum tipo de contato com o circo, exceto eu. Superando as expectativas entrei.

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Tudo começou como Hobby, no circo aprendi meu primeiro FLIC, foi maravilhoso estava me descobrindo mais a cada dia. Entretanto, a ENC passou por alguns problemas de verbas por causa do governo na época e entrou de greve por 3 meses! Fiquei desesperado, e agora como vou treinar? Como diz o ditado, há males que vem para o bem, e nessa época conheci a ginástica artística. Isso mesmo, fui conhecer a ginástica depois de velho, assim como o circo, com 19 anos, afinal são duas práticas que se iniciam bem cedo, quando não se nasce diretamente no meio (no caso de família de circo). Foi lá que conheci umas das pessoas mais importantes na minha vida no mundo ginástico e que me ajudou a ser o que sou hoje, meu treinador, Ceará, o qual sou eternamente grato por tudo que fez por mim e pela paciência que teve comigo. Ele me acompanhou e me acompanha até hoje.

Após a volta das aulas na ENC, em meio aos treinos, um dos meus professores do circo percebeu meu potencial e me chamou para trabalhar na empresa de dublês que ele fazia parte. Eu já pulava, rolava, subia e me jogava do alto de graça, porque não ganhar um troco a mais?! Entrei para a equipe e fiz diversas participações em novelas, comerciais e filmes. Pra ter noção, eu fui dublê do Leandro Hassum quando ele ainda não era magro, dá para imaginar?

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Mas voltando aos estudos, eu ainda pretendia prestar vestibular para engenharia em telecomunicações, mas trabalhando tanto com o corpo, pensei comigo mesmo: "acho melhor entender como funciona essa maquina", foi ai que mudei de ideia e decidi prestar vestibular para Educação Física.

Entrei para a faculdade na UERJ e nada mudou. Se assemelhava muito ao colégio, continuava a subir em tudo, saltar pelo corredores (agora com um pouco mais de técnica), e se tivesse alguém de cabeça para baixo, podia ter certeza que era eu. Algumas pessoas se espantavam ao passar por uma conversa nada usual, Pedro Marcus (sempre era com ele) que o diga, ele me contava sobre as coisas da vida e eu lá escutando, atentamente, em parada de mão em alguns dos halls da UERJ. Foi na UERJ também, que aumentei ainda mais meu contato com a Ginástica Artística. Trabalhei como monitor na disciplina de Ginástica Artística, fiquei a frente de um projeto que ensinava a modalidade à crianças da comunidade do entorno da UERJ e também estagiei instruindo os atletas em iniciação da equipe masculina de Ginástica Artística do Flamengo.

Em paralelo a isso, eu continuava treinando na ENC. A técnica foi evoluindo e o hobby virou profissão. Eu já fazia trapézio de voos, báscula, faixa, trampolim e algumas outra modalidades na na escola de circo quando em um visita do Marcos Frota à escola nacional, ele se interessou pelo numero de báscula, da trupe que eu fazia parte e nos chamou para trabalhar.

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Com fome por conhecimento eu tentava encaixar tudo nos horários livre em que tinha. Treinava durante a semana no circo, ginástica à noite, me apresentava nos finais de semana e ainda tinham as aulas da faculdade. Tinha dias que eu tinha que fazer uma apresentação de manhã ir pra faculdade para estudar, voltar a tarde para mais um apresentação e fechar o dia com o treino de ginástica.

Com o tempo comecei a perceber o quanto as pessoas ficavam doloridas (inclusive eu!) e cansadas, por isso decide estudar sobre massoterapia. Mais um tarefa para por na semana, mas foi ótimo! Terminei buscando algo mais profundo, e fui parar no shiatsu e na acupuntura. Aprendi coisas muito além de técnicas de apertar aqui ou ali, aprendi muito sobre a filosofia oriental e como a mente influenciava nesse processo de interação com o corpo. Me dediquei bastante e sou apaixonado pelas arte orientais até hoje e nunca deixei de atuar nessa área.

Bom, a correria do dia a dia acabou cobrando o seu preço. Infelizmente eu tive algumas lesões, algumas sérias. Em um espetáculo que estávamos montando no circo, com um companhia da Itália e França, um dia antes da estreia tive a infelicidade de machucar meu joelho direito. Um lesão grave, mas mesmo assim, indo contra os médicos, eu apresentei os dois dias do espetáculo, afinal eles dependiam de mim e não queria deixar ninguém na mão. Depois fiquei 3 meses parado com o joelho estático para recuperar. Além do joelho, por excesso de treino, lesionei minha coluna, com principio de protrusão em todas as vértebras lombares, me obrigando a me afastar do circo por um momento.

Finalizei a faculdade. Segui trabalhando com massoterapia e entrei para a Nike. Participava do programa de NTC (Nike Training Club) dando treinos em alguns pontos do Rio.

Durante essa época voltei a sentir a necessidade de estudar mais e entender mais ainda sobre o corpo. Fui atrás da YOGA, a principio apenas pelas posturas e pela flexibilidade que dava. Doce engano, a yoga me levou muito mais longe do que eu poderia imaginar. Essa galera do Oriente, realmente está muito a frente no quesito corpo/mente. Se um dia achei que tinha consciência corporal, vi que estava apenas no começo, cada dia me descobria mais e mais, e ainda estou no caminho. Não só em relação ao corpo e sim a mente, consegui entender o outro como uma extensão do meu ser, ver um conexão entre todos nós. Que temos a possibilidade de moldar a realidade da maneira que quisermos, basta a acreditar.

Ainda na Nike, treino vai treino vem, acabou que alguns deles aconteceram dentro da CFP9, na Barrinha e no Casa Shopping, lançamento de um dos METCONs. Em uma dessas ocasiões, a Samantha me abordou e perguntou sobre fazer um experiencia na CFP9. Como percebi que a energia do local era muita boa, o relacionamento entre todos ali presentes era contagiante, decidi aceitar a oferta.

Assim que entrei para CFP9 percebi que a tríade não era apenas da boca pra fora, vi sim a preocupação com a alimentação saudável, o exercício físico e, principalmente, o relacionamento humano, trabalhando em conjunto para construir seres HUMANOS!

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No inicio não foi fácil, um mundo novo se abriu para mim, mudei completamente minha vida por causa da CFP9, e foi um ótima mudança. Percebi que crescemos quando saímos da nossa zona de conforto, e é exatamente esse novo desafio de trazer meus conhecimentos para contribuir com o crescimento dos meus alunos que me faz querer ser melhor a cada dia.

Qual será a próxima empreitada? Sugestões?