Querida Solidão, é hora do Adeus!

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Sozinho em sua casa ao lado de sua família. Logo após chegar de seu trabalho e lá já estava ele no santo combo de todo dia: Netflix e jantar. 

E a mesma coisa tinha ocorrido na noite anterior e todas as outras. E quanto mais distante ele ficava, mais distante se tornava o caminho para estar perto dos outros. 

No trabalho, não sentia vontade de conectar com ninguém. Nos finais de semana esperava ansiosamente a hora de fazer nada e ficar junto a quem já conhecia. Ele queria segurança. 

Neste caso, segurança significava não ter que falar sobre ele mesmo, apenas com quem já o conhecia e não o julgava. Sendo assim, buscava estar apenas em lugares que não o colocava em risco de ter que começar uma nova conversa, falar de sua vida ou de quem ele era. 

Tímido desde a infância, João sempre teve problemas com seu peso e fazer amigos tinha sido sua maior dificuldade durante esta fase. Ele era aquela criança que ficava tensa quando o sinal do intervalo tocava na escola. Mais uma vez ele iria ficar sozinho, ou pior,  fingindo estar esperando alguém... 

E mesmo assim, o destino fez com que ele encontrasse uma saída. Não por sua opção. Até hoje ele se pergunta como isso aconteceu... 

Ao passar horas diárias em sua redes sociais, João resolveu enviar uma mensagem para uma das pessoas que seguia e sempre o inspirava com legendas positivas sobre alimentação, exercícios e convívio social. 

E para sua surpresa, no mesmo minuto veio uma resposta: “Porque você não vem visitar a gente e conhecer um pouco melhor o que fazemos aqui?”. 

 Nenhuma CrossFit é igual a outra. Quando você encontrar seu box, não terá dúvidas que é o lugar certo para você. Não é o preço, não são os equipamentos. É a mensagem que "tem a ver" com a sua e a forma como você se sente. 

Nenhuma CrossFit é igual a outra. Quando você encontrar seu box, não terá dúvidas que é o lugar certo para você. Não é o preço, não são os equipamentos. É a mensagem que "tem a ver" com a sua e a forma como você se sente. 

Por mais que sua vontade fosse enorme em ser capaz de fazer aquilo, só de imaginar a ideia de ter que se relacionar com 30 pessoas em uma aula de CrossFit, já despertava suas inseguranças de forma inimaginável. 

As lembranças de faculdade pareciam atuais quando ele pensava em fazer a tal visita ao box. E não era a falta de vontade em fazer novas amizades. Inúmeras foram às vezes que ele se colocava “a disposição” em ambientes sociais esperando que alguém o abordasse. Ele não levava telefone, revista ou livro para estes momentos. Apenas ficava parado esperando algo acontecer. Mas nada nunca aconteceu. 

E as poucas vezes em que resolvia abordar alguém, sua falta de habilidade social acabava com a interação. Era algo do tipo, “Oi, meu nome é João”, e após a pessoa responder seu nome de volta a conversa aos poucos morria. 

Sendo assim, ele achou melhor deixar o convite de lado voltando para sua casa após um longo dia e comentar com ninguém a respeito de nada como em todas as vezes. 

No dia seguinte, havia uma reunião importante em seu trabalho, a qual ele havia passado a noite em claro preparando o material. 

Para sua sorte, quando chegou na empresa, o elevador não estava funcionando e ele seria obrigado a subir 9 lances de escada de terno e gravata, além do peso de sua mochila. Se isso já não fosse suficiente, ele teria que fazer isso ao lado de um companheiro de trabalho que iria para mesma reunião. 

 Pense no Fitness como uma jornada. É um caminho sem fim que muda de acordo com a fase de sua vida. 

Pense no Fitness como uma jornada. É um caminho sem fim que muda de acordo com a fase de sua vida. 

A incapacidade física de subir as escadas junto a impossibilidade de imaginar que teria de socializar degrau a degrau fez com que ele nunca chegasse a essa reunião. 

E isto foi o “basta”, o alerta vermelho. Ao chegar em casa trocou de roupa e decidiu mudar, transformar, modificar a situação atual de sua vida. 

Porém, como havia uma CrossFit na esquina de sua casa, resolveu trocar o convite do Coach da mensagem por uma aventura à 50 metros de sua residência e tentar aquele local mais conveniente. Até porque sendo mais perto, é claro que seria mais fácil se tornar uma rotina. 

Ao chegar no horário agendado para sua aula, ele ficou "plantado" na recepção esperando algum contato inicial. Após um bom tempo a recepcionista decidiu que era hora de dizer oi. E sem mais nem menos ele se viu no meio da aula, perdido, assustado com aqueles abdomêns “gritando” e criando um ambiente assustadoramente não convidativo. 

Não ouve conversas. Não houve cortesia. Afinal, ali era um centro de treinamento para construir atletas. 

Ao ter dificuldade em realizar um deadlift, ele se recorda de como o Coach estava frustrado e até impaciente pela sua incapacidade de “empinar a bunda”. Na verdade o treinador não disse nada negativo. Apenas sua atitude e linguagem corporal gritavam, "O que você está fazendo aqui?".

E naquele momento a criança gordinha que morria de medo do intervalo estava de volta. E do mesmo jeito que João entrou, ele saiu. Talvez a única coisa que mudou era sua dúvida. Acreditou que o CrossFit não era para ele. 

 Não se intimide ao ver pesos e corpos "sarados". O mais importante é o ambiente e os valores que ali dentro são construídos. 

Não se intimide ao ver pesos e corpos "sarados". O mais importante é o ambiente e os valores que ali dentro são construídos. 

Mas o destino às vezes bate 2 vezes em sua porta. No mesmo dia, antes de começar a maratona de Netflix, havia uma nova mensagem em seu telefone, “Ainda estou te esperando João...”.

Ele recorda até hoje de sua primeira interação com o local. A mesma pessoa que o convidou foi o primeiro a recebe-lo e dizer em alto e bom tom: “E aí João, finalmente você veio nos visitar. Seja bem-vindo!”. 

O mais estranho é que os mesmos abdomens sarados, ali pareciam tão simpáticos e receptivos. E quando, no meio do tal WOD, tudo pareceu impossível, ao invés do olhar de frustração da experiência anterior, João sentia que alguém estava ali, de mãos estendidas para colocá-lo em pé novamente. 

Ao final da aula, ele teve o sentimento que conhecia a equipe toda fazia um tempo. Sabe esse "feeling" que você conhece a pessoa de algum lugar. Pois é, ele sentiu inúmeras vezes durante essa visita. 

As pessoas por ali, estavam focadas em tornar aquela a melhor hora de seu dia e isso era óbvio. Eles todos já sabiam seu nome e isso o deixou bem intrigado. 

Ao sair, perguntou para moça de cabelo raspado e tatuagens “engraçadas” como todos por ali sabiam seu nome, “Aqui nós queremos entender quem é você e qual são seus objetivos para podermos te ajudar a fazer uma mudança positiva em sua vida. Para sermos capazes de fazer isso, nos esforçamos para aprender o nome das 400 pessoas que por aqui passam. Seu nome é a forma como expressamos o quanto nos importamos com você como indivíduo. E quando quem te chama é alguém que realmente se importa com você, isso torna o momento muito mais especial.” 

 Coaches devem estar focados em descobrir o seu melhor e conseguir, diariamente, que este pedaço de você seja evidenciado. 

Coaches devem estar focados em descobrir o seu melhor e conseguir, diariamente, que este pedaço de você seja evidenciado. 

Desta vez, João não sentiu que estava ali apenas para suar. E com o passar do tempo, ele percebeu que ficava ansioso para que aquele momento chegasse. Ele estava ansioso para interagir com as pessoas. 

Cada vez que ele recebia uma mensagem questionando porquê ele não compareceu ao treino, ou toda vez que alguém reconhecia seu “sumiço” de 1 dia, ele sentia que fazia parte de algo. 

Até hoje ele não se esquece de um dos muitos momentos marcantes. As sextas-feiras, ele era sempre “obrigado” a trabalhar em duplas, no “dia internacional do relacionamento humano”, como eles chamavam. No começo ele não entendia esse conceito e até faltava as vezes, pelo medo de ter que treinar com alguém. 

Em um destes dias que resolveu vencer seus medos, João, em meio a power cleans e flexões, sentiu que seus braços não estavam mais respondendo. E com medo de desapontar seu parceiro, tentou desistir de continuar o treino. Rapidamente veio um sentimento de angústia e desespero como dos velhos tempos. 

Ao pedir que seu parceiro continuasse pois ele precisava parar, veio logo a resposta, “Não João, estamos nessa juntos, e iremos terminar juntos!”. 


E o melhor disso tudo é que ele soube, logo ali, que não precisava ser “bom” ou ter todos os movimentos para se tornar parte daquela comunidade. 

 Entenda que mesmo quando se sentir sozinha, existe sempre um alguém oferecendo ajuda, seja em um gesto ou em uma contagem. O importante é se fazer presente. 

Entenda que mesmo quando se sentir sozinha, existe sempre um alguém oferecendo ajuda, seja em um gesto ou em uma contagem. O importante é se fazer presente. 


Naquele momento, João percebeu que mesmo ainda acima do peso que gostaria de ter, incapaz de colocar as anilhas que gostaria de levantar, ainda era aceito, pois nada daquilo importava. As pessoas entendiam o seu momento na jornada. 

Diante deste e outros exemplos, ele percebeu que este era o local onde ele gostaria de estar. E cada vez mais o que era ali criado, extrapolava para fora do box. Amizades foram sendo criadas. 

Mais importante que o exercício, eram as relações cultivadas no dia-a-dia. 

Todas as pessoas estavam em diferentes momentos e tinham objetivos variados, mas esforço era sempre reconhecido como esforço. As pessoas mais rápidas e fortes não eram diferentes daquelas que estavam começando. Os atletas não recebiam mais incentivos que os novatos. O gay, a tímida ou o popular eram tratados com o mesmo respeito. Dedicação e incentivo, por ali, não via gênero, raça, religião ou grau de aptidão física. 

Já faz 1 ano que João entrou para seu box. Ele continua sendo uma pessoa introvertida em sua vida. Mas quando João entra em seu box, ele consegue ser ele mesmo. 

Hoje em dia João é o primeiro a ajudar as pessoas a fazerem amizades por lá. Hoje em dia João sente prazer em criar conexões e deixar as pessoas a vontade. Hoje em dia ele retribui o que ele recebeu em uma época sozinha e sem pessoas para conversar. 

Hoje em dia João pratica o conceito da corrente do bem. Hoje, ele mesmo muda vidas! 

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Obs: texto inspirado a partir de uma mensagem de um aluno que recebi essa manhã. A todos vocês que conseguem visualizar o que fazemos por aqui, não se esqueçam, vocês são a energia para a roda continuar "mudando" vidas por aí!